Pouco pensa-se hoje sobre o trabalho interior que é necessário para se coletivizar as demandas.
- Rebecca Oliveira Dias
- 23 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de dez. de 2025
Primeiro, nenhum sofrimento é individual. Todo sofrimento resulta de um conjunto incontável de coisas: os eventos históricos que te trouxeram até aqui, as dinâmicas sociais da atualidade, as dinâmicas da sua família, escola e demais instituições que formaram suas ideias de si e do mundo. Além disso, suas próprias tendências genéticas, acesso a recursos ao longo da vida, informações que te atravessaram, seus medos aprendidos e desaprendidos. Em resumo: seu sofrimento não é culpa sua. É resultado de condicionamento. Das consequências te te cercaram. Não politizar o sofrimento é como retirar uma variável essencial da transformação e manutenção dele.
Ao mesmo tempo que retirada dessa culpa nos ajuda a não cair em ciclos de autossabotagem e fusão a pensamentos que nos deixam remoendo como deveríamos ter feito diferente, isso não retira nossa responsabilidade com nosso processo de libertação desses sofrimentos. Afinal, como pensar em libertar o mundo de seus sofrimentos coletivos sem antes nos atentar a como nós mesmos reagimos a esse mundo? A como nos colocamos nas situações de injustiça que nos cercam? A como nos defendemos dos limites que cruzam? Um corpo sem saúde tem menos energia e recurso para ajudar ao outro e se doar ao coletivo. Assim como um corpo não adquire essa saúde sem a ajuda do coletivo. Como todas as vias de mão dupla que agem na natureza, essa é um ponto central para agir no nosso próprio sofrimento: aceitando o que vem (todas aquelas variáveis que nos trouxeram até aqui, as circunstâncias, emoções, pensamentos e sensações) e fazendo o que importa (agir de acordo com o que acreditamos, lutando contra essas injustiças e descobrindo o que verdadeiramente faz sentido para nós). Aceita-se e abre-se primeiro para aquilo que não se controla. Com o fim de aquietar a mente. Assim, o corpo tem mais consciência e energia para ação, responsabilidade e manutenção do equilíbrio interior.



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